FERIDA

 

Poupe as suas lágrimas

Já que elas não escorrem por mim,

Guarde as suas lástimas

Para as horas trágicas

Que com certeza hão de vir.

 

Não sou motivo do seu choro

Nem bálsamo para a sua dor

E quando ouço o seu grito de socorro

Em sua direção corro,

Mas reconheço não ser doutor.

 

Não sou a cura para a sua doença

Tampouco um prognóstico otimista,

Nem mesmo sei se a minha presença

É útil em sua convalescença

Ou se ao me aproximar sou egoísta.

 

Se você não nutre amor por mim,

Por que nutrirá compaixão?

Talvez eu lhe pareça ruim,

Mas saiba que hoje aqui vim

Para abrir o meu coração.

 

Tê-la simplesmente como uma amiga

Será como morrer lentamente,

Pois ao ouvir que ama outro sem ser correspondida

Permitirei que surja uma ferida

Neste coração que a ama profundamente.

 

Eduardo de Paula Barreto