FELIZES
Não nascemos para ser felizes?
Qual será o proveito da dor?
E nas ignóbeis cicatrizes,
Onde estará o seu valor?
Quando sorrimos nos sentimos plenos,
Aguardamos ansiosos o dia amanhecer,
Mas quando choramos tão pouco vemos
E torcemos para o dia acabar sem nos perceber.
Já que o nosso passar pela Terra é efêmero
Por que ele não se resume em felicidade?
E assim nós poderíamos vivê-lo
E vê-la renovar-se a cada nova idade.
Mas tudo está tão distante do ideal
E a nós só cabe nos resignar,
Aceitar a nossa condição crendo que no final
Não mais teremos motivos para chorar.
Eduardo de Paula Barreto