FAUNA POÉTICA

 

Minha cabeça é uma gaiola,

Meus poemas são passarinhos

E eu não vejo a hora

De libertá-los para que construam seus ninhos.

 

Minhas mãos são a chave

Desta imensa prisão

E não importa o quanto as lave,

Estarão sempre impregnadas de intuição.

 

Minha alegria se encerra

Em ver a porta tombar,

Apreciar os passarinhos ciscando a terra

E soltos voando no ar.

 

Por não gostar de crueldade

Contra a fonética,

Manterei aberta a porta da gaiola até tarde

Preservando assim a fauna poética.

 

Eduardo de Paula Barreto