FAUNA POÉTICA
Minha cabeça é uma gaiola,
Meus poemas são passarinhos
E eu não vejo a hora
De libertá-los para que construam seus ninhos.
Minhas mãos são a chave
Desta imensa prisão
E não importa o quanto as lave,
Estarão sempre impregnadas de intuição.
Minha alegria se encerra
Em ver a porta tombar,
Apreciar os passarinhos ciscando a terra
E soltos voando no ar.
Por não gostar de crueldade
Contra a fonética,
Manterei aberta a porta da gaiola até tarde
Preservando assim a fauna poética.