EU VI
Eu vi ondas que tudo molhavam,
Quebrando na praia se exibiam.
Vingativas se retiravam, mas tudo levavam,
Eu vi ondas invejosas que contrariadas partiram.
Eu vi folhas que não se seguravam,
Se soltando voavam até o chão.
Eram palmeiras que se esforçavam,
Eu vi folhas que se amarelaram em total decepção.
Eu vi siris que me odiaram,
Que se esforçaram inutilmente para se aproximar
E por mais que suas garras me amedrontaram,
Eu vi siris que sutilmente espantei para o mar.
Eu vi o Sol que se curvou
Diante do poder da sombra protetora.
Ele tentou, mas não te tocou,
Eu vi o Sol que se pôs de forma constrangedora.
Eu vi a mim mesmo que não pude conter
O carinho e o cuidado contidos no peito,
Fui encharcado, coberto, picado e queimado ao te proteger,
Eu vi a mim mesmo, teu protetor e amante perfeito.
Eduardo de Paula Barreto