ESTREITO PACTO

 

 A saudade tem um parceiro

Que anda com passos lentos,

Se faz passar por conselheiro,

Mas é ladrão de pensamentos.

 

Muda as fisionomias,

Transforma em estranhos os antigos amores,

Apaga as alegrias

Ao fazer-nos lembrar apenas das dores.

 

Privilegia as mágoas,

Dá enorme espaço para elas,

Se alegra ao ver nos olhos brotar água,

As liberta rompendo os cadeados das celas.

 

A saudade que dói no peito

Provoca maior sofrimento

Ao fazer um pacto estreito

Com o implacável esquecimento.

 

Eduardo de Paula Barreto