ESPINHOS DESPREZADOS
 
No balcão da floricultura
A rosa rica em formosura
Se revolta contra os seus espinhos:
Vocês são uns incompetentes
Incapazes de tão-somente
Me proteger desses mesquinhos.
 
Agora olhem pra mim
Indefesa e tão lisa assim
Vulnerável e toda raspada
Bem feito que vocês vão pro lixo
Este é o lugar mais preciso
Para seres que não valem nada.
 
A rosa é juntada num lindo buquê
E exposta na vitrine para todos que
Passam caminhando na calçada
E ao ouvir constantes elogios
Chega a sentir arrepios
É quando da vitrine é retirada.
 
O buquê é entregue a um rapaz
Que com cuidado o traz
Envolto em seus braços
E depois de uma caminhada
O entrega à pessoa amada
Entre beijos e abraços.
 
Ao ver lágrimas caindo
Do rosto sereno e lindo
Cheio de emoção e carinho
A rosa fica arrependida
E como nunca agradecida
Aos seus desprezados espinhos.
 
Eduardo de Paula Barreto
26/01/2012