ESPELHO X CÂMERA 
 
Eu admiro o espelho
Que de cima do móvel velho
Reflete momentos da vida
Mas que nada retém
A ninguém faz refém
E liberta as imagens refletidas.
 
Cada imagem segue o seu destino
E minha alma de menino
Logo desabafa:
Tenho uma criminosa em meu quarto
Pois a câmera de tirar retrato
Aprisiona o que fotografa.
 
Ela só vê o mundo
Por milésimos de segundo
E toma as imagens para si
Mas o espelho é bondoso
Pois encontra gozo
Em ver as imagens partir.
 
Por querer tomar o poder
Que o espelho demonstra ter
A câmera promove uma luta mortal
E mesmo contrariado
O espelho se vê obrigado
A enfrentar a sua rival.
 
Numa batalha violenta
A câmera fotográfica tenta
Aprisionar o espelho antes de ele cair
E ela não impede
Que ele caindo se quebre
E supõe ter conquistado o poder de refletir.
 
Mas ao revelar a imagem
Que registrou com coragem
A câmera fica decepcionada
Pois um espelho fotografado
Tem o seu aspecto preservado
Mas não reflete mais nada.
 
Eduardo de Paula Barreto
20/08/2008