ESPELHO MÁGICO
 
Perguntei ao meu espelho mágico
Se ele gostava de mim
Em meio a um sorriso sarcástico
Ele me respondeu assim:
 
Desculpe a minha franqueza
Mas devo ser honesto
Há décadas eu ouço a mesma
Pergunta e os mesmos gestos.
 
Embora você me olhe atento
Não me vê de verdade
Só me faz de instrumento
Para satisfazer a sua vaidade.
 
Quando foi a última vez
Que reparou a minha moldura
E algum carinho me fez
Antes de apreciar a sua figura?
 
Quando foi que me limpou
Para ver-me mais contente?
Nunca, apenas me lustrou
Para ver-se mais nitidamente.
 
Tenho testemunhado
Os seus conflitos
Às vezes tenho chorado
Às vezes tenho sorrido.
 
Eu gosto de você sim
E quero fazer um trato
Antes de chegar o seu fim
Me transforme em cacos.
 
Eu não suportaria o abandono
Nem a dor de não mais poder vê-lo
Só você será o meu legítimo dono
E só eu serei o seu mágico espelho.
 
Eduardo de Paula Barreto
07/06/2011