ESFERA INCANDESCENTE
Mestre, me fale sobre o homem
De como foi a sua jornada
Esta curiosidade me consome
O meu espírito não descansa, não dorme
Anseio por saber como era a Terra habitada.
No começo eram ignorantes
Precisavam ser conduzidos com firmes mãos
Estavam em lutas constantes
Matavam o seu semelhante
E aos Céus não pediam perdão.
Com o passar do tempo
Supuseram estar evoluindo
Adquiriram conhecimentos
Experimentaram o desenvolvimento
Mas continuaram se destruindo.
Permanecia o mesmo rancor
E imperava o egoísmo
E o mesmo instinto destruidor
Suplantava a força do amor
O que fez surgir entre os homens um abismo.
No auge da evolução
Quando tudo parecia melhorar
Alguém apertou um botão
E no meio de uma explosão
Todos foram lançados ao ar.
A Terra tornou-se sem vida
Uma esfera incandescente
E subiram almas sofridas
Indignas de ser recebidas
Pelo Deus que lhes dera a Terra como
presente.
Mestre, então me sinto contente
Sei que isso de mim espera
E sou grato ao Deus que bondosamente
Me poupou de ser um espírito doente
Ao não enviar-me para a Terra.
Eduardo de Paula Barreto