ESCURIDÃO

 

No fundo dos olhares distantes

O que existe se faz refletir,

Há imagens de lindos montes,

Montes para os quais não se quer ir.

 

Na íris se vê a fruta doce,

Reflexo do que está sobre o prato,

Mas o prato é como se fosse

Um disco perdido no espaço.

 

A lágrima que envolve o globo ocular

Também serve de espelho,

Mostra o tom avermelhado do Sol a se deitar,

O olho então se tinge de vermelho.

 

  O olho ao se fechar

Mostra com precisão

Que àquele que se negar a enxergar

Será dada a escuridão.

 

Eduardo de Paula Barreto