ESCRAVIZADO
Teu aconchego para mim é um açude,
Largo lago cheio de virtudes
Que me aquieta em meio à minha inquietude,
Para onde me curvo e vou amiúde.
Sigo dominado, submisso,
Nem sempre me dando conta disso.
Acabo assumindo qualquer compromisso
Sem saber o que significa tudo isso.
Zombam de mim, caminho escarnecido,
Ouço de longe sorrisos contidos.
Talvez tal destino seja por mim merecido,
Ao pó que piso me sinto reduzido.
Mas quero me libertar, ainda há esperança,
Assim porei fim à toda cobrança.
Sei que o dom de amar me foi dado como herança,
Aprenderei a ser só, romperei a aliança.
Mesmo que eu seja excomungado
E que por isso fique famigerado,
Não cometerei mais o pecado
De deixar o amor me manter escravizado.
Eduardo de Paula Barreto