ESCADA DA MORTALIDADE 

 

Existe uma escada a ser subida

E da qual também teremos que descer,

Ao atingir a metade da sua expectativa de vida

O homem encontra-se em plena descida

É quando começa a temer.

 

Então passa a se perguntar:

— O porquê de tudo isso

Se a minha escada irá acabar

E se o seu fim ninguém poderá evitar,

Qual sentido haverá nesse sacrifício?

 

Mas embora o homem como néscio nasça

E ao ficar velho se torne esquecido,

É além da escada que está a graça

Porque na alma não há lembrança que se desfaça,

Portanto usufruiremos tudo o que tivermos aprendido.

 

  Ao invés de subirmos novas escadas

Nos deslocaremos no tempo com maior agilidade

Porque seremos providos de invisíveis asas

E com a inteligência igualmente alada,

Entenderemos o porquê da escada da mortalidade.

 

Eduardo de Paula Barreto