ELIMINANDO OS ESPINHOS

 

 

Há pessoas que insistem em ver apenas os espinhos,

Não olham para as rosas, pois o belo as irrita,

Preferem buscar imperfeições em cada caminho,

Citam os ratos dos bueiros, mas esquecem as lindas avenidas.

 

Nos parques tão preservados se atêm aos mosquitos,

Não reparam a beleza das árvores e nem a da grama,

Nos jardins não admitem que os girassóis são bonitos,

Saem de casa com espírito crítico e visão mediana.

 

Se há trânsito não admitem que são parte integrante,

Irritados com a buzina do carro de trás, buzinam para o da frente,

Eles querem ser os únicos a ter carro, pois se julgam importantes,

Xingam todos de mal-educados sabendo que não são diferentes.

 

Quando andam pelo centro condenam a miscigenação,

Dizem que a cidade é um caos de impossível convivência,

Não lembram que cinqüenta por cento da população

Têm origem mista em sua ascendência.

 

Uma sociedade de convívio pacífico entre as diferenças

Deveria ser uma natural e constante realidade,

Mas nunca deixaremos de presenciar divergências,

Pois o homem que agrada a todos não tem personalidade.

 

Eduardo de Paula Barreto