DOR NO PEITO

 

 

Em alguns momentos lágrimas escorrem,

Não há ferimento, mas o corpo dói.

Profunda reflexão que as energias consome,

Existe algo no interior do peito que corrói.

 

Foi-se o ânimo, perdeu-se o prazer,

Nada atrai no mundo externo.

Impera o desejo de simplesmente poder

Voltar a viver no ventre materno.

 

O sono mostra-se um bom amigo,

É procurado à noite e também de dia,

Ele é transformado num acolhedor abrigo

Que alivia um pouco toda a agonia.

 

O alimento agora é insípido,

A água não mata mais a sede,

As músicas não possuem mais ritmo,

Os quadros não embelezam mais as paredes.

 

O futuro não está ao alcance da visão,

O momento presente não justifica a vida.

Todo aquele que é tomado pela depressão

É porque não acalenta mais muitas expectativas.

 

Eduardo de Paula Barreto