DOR DOS PRIVILEGIADOS

 

Cante uma cantiga de amor,

Chore dolorosas lágrimas de saudade,

Encharque fotografias, mas faça um favor,

Apague a luz do abajur, aqui tem muita claridade.

 

Fique suspirando a noite inteira

Como se eu tivesse tido que ir.

Suportarei a sua choradeira,

Mas benzinho, vai, me deixa dormir.

 

Sinta falta dos meus beijos apaixonados,

Finja que estamos distantes,

Mas não fique me mantendo acordado

Me beliscando a cada minúsculo instante.

 

Sofra a dor dos privilegiados,

Daqueles que experimentam com toda a intensidade

O puro sentimento que não consegue deixar saciados

Os corações que vivem o amor de verdade.

 

Eduardo de Paula Barreto