DOLOROSO GRITO

 

Do alto do distante morro

Ouço um clamor,

Parece pedido de socorro,

Aí então eu corro

Guiado pelo grito de dor.

 

  Deparo-me com uma mata fechada

E com ladeiras íngremes para subir,

Mas não penso em mais nada,

Prossigo na minha jornada,

Pois os gritos continuo a ouvir.

 

Sou surpreendido pela chuva

Que torna o trajeto mais duro,

Mas nada impede que eu suba,

Ainda continuo ouvindo pedidos de ajuda,

Alguém está em sérios apuros.

 

  Depois da longa jornada

Finalmente chego ao topo,

Não encontro ninguém nem nada,

Apenas uma pedra escavada

Formando um espaço oco.

 

  De repente fico aflito

E sem fala engulo seco,

Aí então identifico

Que o triste e doloroso grito

Não era nada além do que o meu próprio eco.

 

Eduardo de Paula Barreto