DOLORES
04/01/2008
Sentei-me ao lado da minha
tia-avó
Que calada sobre uma cadeira
de rodas
Fazia despertar em mim
alegria e dó
Pois embora acompanhado eu
estava só
Eu fazia perguntas sem obter
respostas.
A sua pele lembrava seda
Os seus cabelos algodão
O seu silêncio era a certeza
De que a vida é correnteza
Que leva todos sem
distinção.
O seu corpo fragilizado
Me permitia entender
Que retemos o aprendizado
Mas que colocamos os
cadernos de lado
Para então aprendermos a
viver.
Olhando para a tia querida
De repente senti felicidade
Pois o que dá sentido à esta
vida
É a chama da expectativa
De vivermos na eternidade.
Eduardo
de Paula Barreto