DOIS OLHOS NEGROS NA MULTIDÃO

  

Tem tanta gente por aqui,

Ninguém que eu conheça.

Alguma força me faz sentir

A vontade de girar a cabeça.

 

Entre tantos olhos dois se destacam,

Se fixam nos meus como que por magia.

Quanto mais me aproximo mais se dilatam.

Que força será essa que me atrai e contagia?

 

Estando perto dela, então identifico

A dona dos olhos que me atraíram.

São olhos negros que brilham como vidro

Os quais me entorpeceram e me confundiram.

 

Surpresos conversamos ali mesmo ao relento,

Até nos tocamos com alguma intimidade,

Parece nos conhecermos já há muito tempo

E assim vai surgindo uma paixão de verdade.

 

Eduardo de Paula Barreto