DOIS MUNDOS 
 
Estou presente na ausência da vida
Me encontro em lugares onde não estou
Falo alto calado com voz contida
Me calo em palavras espargidas
Em ouvidos que não ouvem o meu clamor.
 
Acordo e o peso do cobertor
Faz-me sentir que estou vivo
Me levanto e olhando ao redor
Tomo o café já sem sabor
Acompanhado de pão amanhecido.
 
Jogo água fria na cara
Para ficar mais acordado
E o espelho me encara
E sem piedade escancara
Que o tempo tem passado.
 
Durante todo o dia
A realidade me percebe
Se falo sou ouvido como queria
Se calo ouço como eu gostaria
E aonde vou o meu corpo me segue.
 
À noite na cama me cubro
E durmo em poucos segundos
E assim então descubro
Que eu no fundo no fundo
Sou o que separa meus mundos.
 
Eduardo de Paula Barreto
06/11/2009