OS DOIS CORAÇÕES

 

Aos dezessete

No auge do vigor,

Tão magrinho moleque,

Ainda mascando chiclete

Descobriu o que é o amor.

 

Dava beijos sabor morango

E abraços ricos em prazer,

Tinha o seu amor como santo,

Trocava os espaços abertos por um canto

Para com ela se esconder.

 

Eram tão profundos os laços

Que os ligavam

E em meio aos abraços

Que confundiam os braços

Em um só ser se tornaram.

 

Mas os cruéis conceitos da sociedade

Fizeram com que eles se afastassem,

Ela, uma menina rica alimentou a saudade,

Enquanto ele, garoto pobre, viveu pela metade,

Ambos esperando que o Universo os reaproximasse.

 

  O amor mostrou-se soberano

Vencendo todas as limitações

E depois de longos anos

Puderam novamente dizer: — Eu te amo.

E voltaram a bater próximos os dois corações.

 

Eduardo de Paula Barreto