DO QUE ADIANTA?

 

Prefiro uma verdade dura

À uma mentira suave,

Prefiro uma leve ternura

A um amor intenso que se acabe.

 

Do que adianta fartar-me

Tendo abundância de tudo o que se consome

Para depois o básico faltar-me

E eu acabar morrendo de fome?

 

Prefiro um convívio longo

A um breve relacionamento,

Prefiro os seus lábios aos ombros,

Muitos beijos, poucos lamentos.

 

Do que adianta uma companhia

Se não puder fazê-la sorrir?

Será o mesmo que ter a luz do dia

Sem os olhos poderem se abrir.

 

Eduardo de Paula Barreto