DEUS E O ÓDIO

 
Me esclareçam por gentileza:
Se houve um dilúvio na natureza
Deixando as águas misturadas
Quando os mares e os rios se fundiram
E o Planeta inteiro cobriram
As águas ficaram doces ou salgadas?
 
Se elas ficaram doces
Como se um enorme rio fossem
Como sobreviveram os animais marinhos?
E se elas se salgaram
E num mar imenso se transformaram
Como resistiram as criaturas dos rios?
 
Se o dilúvio foi punição para o mundo
Por seus habitantes serem imundos
Por que morreram também as crianças?
Imagino os milhões de corpos boiando
E Deus lá de cima olhando
O resultado da sua matança.
 
A Bíblia mostra um Deus violento
Que lidera ataques sangrentos
Como chefe de um exército celestial
Que corta as cabeças dos seus oponentes
Que mata quem se demonstra descrente
Nas normas impostas como manual.
 
A vingança, o ódio e a crueldade
São características da humanidade
Que ainda engatinha em sua evolução
 Como imaginar que quando evoluirmos
E características sagradas adquirirmos
Ainda manteremos o ódio no coração?
 
Os atos de violência creditados a Deus
São frutos da imaginação de quem concebeu
A ameaça como instrumento de domínio
 Pois se todas as mortes na Bíblia citadas
Tivessem sido por Deus ordenadas
Ele não seria mais do que um assassino.
 
Acredito na existência de um Deus soberano
Que criou a natureza, os animais e os humanos
Mas que tem o amor como a Sua essência
E que anseia nos ver amadurecidos
E dos pecados da mortalidade despidos
Para com pureza eternizarmos a nossa existência.
 
Eduardo de Paula Barreto
07/02/2012