DESERTO
Deserto é o viver,
Decerto não se explica tudo.
Areias espalhadas sem se comover
Com o suor daquele que já segue murcho.
Deserto são os grãos que se julgando alados
Atingem o rosto do homem
Que cego se vê abandonado,
Com sede e com muita fome.
Deserto é a esperança
Que é sempre aguardada.
Habita mais na criança
Que dela não espera quase nada.
Deserto é o infinito
Sem eco e sem certeza.
Seus grãos são os mais bonitos,
Embora só existam dentro de nossa cabeça.