DESERTO

 

 

Deserto é o viver,

Decerto não se explica tudo.

Areias espalhadas sem se comover

Com o suor daquele que já segue murcho.

 

Deserto são os grãos que se julgando alados

Atingem o rosto do homem

Que cego se vê abandonado,

Com sede e com muita fome.

 

Deserto é a esperança

Que é sempre aguardada.

Habita mais na criança

Que dela não espera quase nada.

 

Deserto é o infinito

Sem eco e sem certeza.

Seus grãos são os mais bonitos,

Embora só existam dentro de nossa cabeça.

 

Eduardo de Paula Barreto