DESEJADAS RUGAS
 
Olhando-me no espelho
Reparo a falta de cabelos
E a pele se enrugando
Percebo a barba esbranquiçada
Vejo surgirem gotas salgadas
Mas não é por isso que estou chorando.
 
Sinto a disposição diminuída
As mãos um tanto enfraquecidas
E maiores os meus poros
As lágrimas se confundem
Com os suores aos quais se fundem
Mas não é por nada disso que choro.
 
Sinto a minha coluna mais sensível
E a vista cansada torna difícil
A leitura que eu gosto tanto
Minhas lágrimas molham o livro
Distorcendo o que está escrito
Mas não é por causa disso o meu pranto.
 
 Sinto ao mesmo tempo tristeza e alegria
Pois cada ruga me causa euforia
Por ser prova de que estou amadurecendo
Mas o que me entristece com intensidade
É saber que muitos jovens da atualidade
Jamais verão rugas em seus rostos aparecendo.    
 
Eduardo de Paula Barreto
10/02/2012