DELATOR
Quando o frio vento da madrugada
Chicoteia as cortinas da janela
Não consigo pensar em mais nada
Além de proteger o corpo dela.
Com os meus dedos toco a sua pele
E sussurro inúmeras declarações,
Então o meu corpo ao dela adere
E cochicham os nossos corações.
Mantenho os meus olhos abertos
E seguro bem firme as suas mãos,
Preciso me manter desperto,
Temo que tudo se mostre ilusão.
Ao acordar se vendo em meus braços,
Será inútil tentar disfarçar,
Pois as olheiras e o visível cansaço
Com certeza irão me delatar.
Me apontarão dizendo: — Foi este homem
Que não controlou o seu amor,
Que passou a noite sussurrando o seu nome
E essas marcas em seu corpo foi ele que deixou.
Eduardo de Paula Barreto