CURIÓ
Canta no alto do salgueiro
Com ar de aventureiro
O imponente canarinho
E como um prisioneiro
Agarrado ao poleiro
Chora o outro passarinho.
Da gaiola pendurada na parede
Ele olha para o menino que pede
Para ele mostrar o seu valor,
Ele se recusa na hora
Por acreditar que na gaiola
Só fica passarinho cantor.
O menino ordena:
Cante ou arrancarei as suas penas
Porque eu não sinto dó,
Não pense que serei enganado
E que você será libertado
Porque ninguém canta como um curió.
O curió amedrontado
Solta um silvo desafinado
O que irrita o garoto
E com ira no coração
Ele joga a gaiola no chão
E o pássaro cai morto.
Ele se vê liberto
E voando passa perto
Do canarinho que se esmera
Em cantar no tom certo,
Então ele percebe ter aberto
As portas da prisão da Terra.
Eduardo de Paula Barreto