CUPIDO INJUSTIÇADO

 

Prendam esse cupido,

Tirem a flecha de sua mão,

Quero que ele seja punido

Por não ter conseguido

Acertar o seu coração.

 

Talvez não tenha treinado direito

Ou quem sabe as aulas tenha perdido

E nenhuma desculpa aceito

Por ele ter errado o seu peito,

Peço de novo: — Prendam esse cupido.

 

De que adiantaram os cabelos dourados

E os olhos azuis brilhantes como vidro?

E nem as asas que o tornam alado

O fizeram ter acertado,

Então: — Prendam esse cupido.

 

— Seu tolo, não brigue com esse anjinho flecheiro,

Veja como ele está entristecido,

Na verdade ele me atendeu primeiro

E em seu coração deu um tiro certeiro,

Saiba que o seu amor sempre foi correspondido.

 

Eduardo de Paula Barreto