CULPE O TEMPO

 

 

Você me pergunta por que a deixei,

Faz isso com certo acanhamento,

Me lembra que fui tratado como um rei,

Sempre digo: – Culpe o tempo.

 

Você recorda as carícias que recebi

Ao ver-me jogado ao relento,

Reconheço que jamais as mereci

E completo: – Culpe o tempo.

 

Você passa a mão por sobre sua barriga

Tentando tocar o nosso rebento,

Pergunta por que ele não ouvirá mais minhas cantigas,

Eu digo: – Culpe o tempo.

 

Você enxuga suas lágrimas e diz:

– Os anos não lhe tiraram do meu pensamento.

Quer saber se ainda poderemos ter uma vida feliz,

Ao que respondo: – Não sei, pergunte ao tempo.

 

Eduardo de Paula Barreto