CULPADO
Fui convocado para depor
Diante de um juiz
Que como um insensível inquisidor
Perguntou-me o que fiz.
Queria saber de mim
Se eu fui o culpado
Pela destruição dos jardins
E pelos campos inundados.
Disse-lhe que se existia
Alguém a perder a liberdade
Que o processo acabaria
Assim que prendessem a saudade.
Foi por causa da saudade imensa
Que roubei as flores que encontrei,
Mas ao saber que em mim ela não pensa,
Chorando os campos inundei.
Eduardo de Paula Barreto