CRISTAL
Da rústica areia que se pisa e despreza,
Transparência sem igual.
Delicada e sutil beleza,
Uma rara taça do mais puro cristal.
Parece frágil, mas suporta
Temperaturas que ferem as mãos.
Brinda amores e, às vezes, transborda
Gotas de vinho ou lágrimas de emoção.
Equilíbrio em sua perfeita simetria,
Espelho que nutre a vaidade.
Encanto exercido por premeditada magia
Compõe o perfil de sua personalidade.
Doce como os licores que leva à mesa,
Feliz por refletir a luz que clareia.
Será para sempre parte da natureza,
Mas nunca mais como uma simples areia.
Eduardo de Paula Barreto