CORTES SEM FIM
 
Enquanto eu sofria
De uma hemorragia
O meu algoz se alegrava
Sorrindo o tempo todo
E eu em desconforto
Aos deuses argumentava:
 
Que mal eu fiz ao mundo
Para ter cortes profundos
E sofrer tamanha crueldade?
Vejo meu sangue se esvaindo
Em frascos sujos caindo
Sem despertar piedade.
 
Sentindo-me muito fraco
Vejo homens e seus frascos
Indo embora para minha sorte
Mas o alívio não se eterniza
Pois quando uma ferida cicatriza
Eles vêm e fazem outros cortes.
 
Sozinho ouço o cantar
Dos pássaros que a voar
Se banham na cachoeira
Sigo inerte, imóvel, apático
Vivendo um viver dramático
Sou um triste pé de seringueira.
 
Eduardo de Paula Barreto
04/04/2011