CORRENTES DA SENZALA
 
Chibatas e grilhões
Foram sempre associados
Aos cruéis vilões
Que tratavam como cães
Os negros escravizados.
 
Mas haverá liberdade
Sem sofrimento ou temor
No coração que bate
Em profunda ansiedade
Castigado pelo puro amor?
 
Marcarão menos os castigos
Presentes nas longas noites
De pesadelos e gemidos
De saudade e ainda mais doídos
Do que os verdadeiros açoites?
 
Se o amor é escravidão
Sou escravo por amá-la
Entre o cativeiro e a solidão
Prefiro as correntes de suas mãos
E o abrigo de sua senzala.
 
Eduardo de Paula Barreto
23/03/2010