CORRENTE DE OURO
Marcelo saiu com os amigos
Para ter momentos divertidos
E esquecer a sua rotina
Depois de horas de descontração
Caminhou envolto pela escuridão
Para o estacionamento na esquina.
Durante o solitário trajeto
Surgiram duas moças cujos gestos
E roupas extremamente curtas
Lhe deixaram muito claro
Que estavam a abraçá-lo
Na verdade prostitutas.
Ele até se sentiu desejado
Ao ter o seu corpo alisado
E ouvir elogios raros
E protegendo o seu celular
Carteira e o que pôde lembrar
Refugiou-se
no seu carro.
Apalpou o celular e a carteira
Para certificar-se de que as rampeiras
Não lhe roubaram os pertences
Mas de repente percebeu
Que num dos carinhos que recebeu
As vadias afanaram a sua corrente.
Então chorou revoltado
Pois o mimo roubado
Era mais do que um presente
Tratava-se na verdade
De um símbolo da maturidade
Que ganhou da mãe quando adolescente.
Agora sem nada no pescoço
Ele lembra com desgosto
Da experiência vivida
Mas ao mesmo tempo se alegra
Pois tem bandido que da vítima leva
Tudo inclusive a vida.
Sugiro que todos tenham cuidado
Pois o Marcelo é advogado
E caso você tente abraçá-lo
Ao lembrar-se do furto que sofreu
E da corrente de ouro que perdeu
Ele poderá processá-lo.
Eduardo de Paula Barreto
07/10/2011