CORAÇÃO DE VAMPIRO

 

Li uma história num papiro

Dando conta que após o som de um tiro

Ouviu-se o último suspiro

De um sanguinário vampiro.

 

Mas que bala o teria matado

Se já é fato consumado

Que só um pedaço de pau cravado

No peito da fera o manteria inanimado?

 

Mas contaram pela cidade

Que o senhor de toda maldade

Adquiriu sua vulnerabilidade

Ao conhecer uma mulher de total castidade.

 

E ao beijá-la planejando matá-la

A agarrando na ante-sala

Sentiu o poder da paixão ao abraçá-la,

O que atingiu seu coração como uma mortal bala.

 

Na verdade o barulho que se ouviu

Não foi nenhum tiro de fuzil,

Foi o coração do vampiro que explodiu

Porque pela primeira vez sincero amor ele sentiu.

 

Eduardo de Paula Barreto