CONFISSÕES

 

Num castelo de torres altas

Uma voz se faz ecoar,

Alguém pede perdão pelas faltas

E de repente salta

Tentando a sua paz resgatar.

 

É um corpo inerte no chão

Cercado por pessoas aflitas

Que perguntam: — Qual foi a razão

Que levou este sábio ancião

A dar fim à sua própria vida?

 

Todos se olham curiosos

Com a esperança de alguma explicação

E reparam o afastar dos idosos

Que choram silenciosos,

Mas aceitam tudo com resignação.

 

Então um deles se vira

E diz para a população:

— Ó Senhor não mais nos fira

Por termos cultivado a mentira

E assim atraído a condenação.

 

O homem que pulou da alta torre

O fez devido às decepções,

Era um religioso que ouvia horrores,

Histórias que os pecadores

Compartilhavam como confissões.

 

Eduardo de Paula Barreto