COMPARTILHANDO
Sinto as dores do mundo,
São gritos que ecoam o meu nome,
Oriundos dos poços mais profundos,
É dor do acordado e também do que dorme.
Enquanto sacio a minha sede
Me lembro dos que agonizam no deserto,
Enquanto relaxo numa rede
Me lembro dos que dormem a céu aberto.
Quando me farto à mesa
Com delicias em bandejas enormes,
Não consigo engolir de tristeza,
São tantos os que sofrem de fome.
Enquanto eu for impotente
E sentir-me um sofredor
Distribuirei indistintamente,
Ao menos, esse meu imensurável amor.
Eduardo de Paula Barreto