COMO UM CACHORRO
Numa tarde de segunda ensolarada
Uma cena curiosa me alerta.
Na rua uma criança deitada
Enrolada numa velha coberta.
Bem magrinha, meio suja,
Sei que não foi à escola,
Ao seu lado, em vez de livros,
Vejo uma lata de cola.
Acordada sai andando,
Mendigando uns trocados,
Alguns dão alguma coisa,
Outros fogem assustados.
Pensam que nesta criança
Não existe mais beleza,
Que a vida nas ruas
Lhe tirou toda a pureza.
Tratamento como esse
Tira dela um triste choro,
Ela olha com interesse
A mulher com o seu cachorro.
E questiona dentro de si:
– Como o mundo é desigual,
Como pode uma criança
Ser menos importante do que um animal?