COMO GRÃOS DE AREIA
Praia, areia, quantos grãos cabem na minha mão?
E nas mãos de Deus, quantos caberão?
Minúsculos cristais que escorrem por entre os dedos,
Caindo se unem aos demais se atritando nos rochedos.
Infinito, grande demais,
O que será que acontece?
Somos todos só cristais
Que da mesma mão descem.
Tempo, longo demais,
Pequeno para cada geração.
Somos todos animais
De vida de pouca duração.
Mistérios existem demais,
Nunca foram esclarecidos.
Pobres homens, seres mortais,
Crescem e morrem confundidos.
Amor, astúcia demais,
Honestamente confesso,
Ele, entre outras mais,
É estratégia do Universo.
Como partículas dos corais
Que no mar vivem no fundo,
Somos bichos racionais,
Areias do mesmo mundo.
Eduardo de Paula Barreto