COMO CRIANÇA
Se os meus olhos fossem puros
Como os das crianças são
Não haveria lugar escuro
E nem a barreira do futuro
Limitaria a minha visão.
Se os meus lábios fossem puros
Como os das crianças são
Jamais precisaria dizer ‘Eu juro’
E dentre os meus sussurros
Não se ouviria a palavra perdão.
Se o meu coração fosse puro
Como os das crianças são
Eu o cercaria com altos muros
Deixando do lado de fora os sentimentos obscuros
E nele abrigaria cada boa recordação.
Se o meu espírito fosse puro
Como os das crianças são
Eu seria resignado e maduro
E como larva num casulo
Teria certeza da libertação.
Eduardo de Paula Barreto