COMA INDUZIDO
Pequena parede colocada à sua frente,
Um minúsculo rio corre com água malcheirosa.
Barulho de gente dizendo: – Sai indigente!
E um carinhoso cachorro dando lambidas gordurosas.
Carros desviando-se das pernas vulneráveis,
A confusão na cabeça que de nada se lembra.
Apenas vagas memórias, todas cruéis, miseráveis,
Reavivadas por um guarda numa agressiva reprimenda.
Afastado do caminho onde era um obstáculo,
Suas lágrimas se agregam à água da velha roupa molhada
E buscando por seu mimo, seu verdadeiro sustentáculo,
Vê na sarjeta a sua garrafa de pinga quebrada.
Vive escondendo-se da realidade por vários motivos,
Abrir os olhos com sobriedade é duro demais, não consegue encarar,
Por isso permanece em diário coma induzido,
Enquanto não é socorrido é assim que tenta se preservar.