CIRCO
Um tiro de canhão
E o palhaço é lançado no ar
As crianças prestando atenção
Os adultos com o coração na mão
E uma rede que não deixa o coitado se machucar.
Um domador com um chicote na mão
Despertando medo em quem ousa olhar
Transformando o tão temido leão
Num bichinho de estimação
Que de tão manso só falta miar.
Um palhaço tentando se equilibrar
Numa corda-bamba bem fina
O público fingindo estar
Torcendo para ele conseguir atravessar
Quando na verdade espera que ele caia lá de cima.
Pois o tombo do palhaço desperta o riso
E é o riso que ele quer despertar
E após cada tombo um novo aviso:
— Olha pessoal, cairei o quanto for preciso
Só para poder lhes alegrar.
A real glória de um palhaço
Não está em tornar-se famoso e rico
Mas está em como bala-humana ser lançado no espaço
Espalhando a alegria como estilhaços
E transformando o mundo todo num enorme circo.
Eduardo de Paula Barreto