CICLOS
Nos campos ainda não floridos
Invisíveis grãos, na terra submersos
Se transformam em mar de rosas infinito
E para a poesia se tornam versos.
Como cacos coloridos
Outrora dispersos
Passam a compor o mais bonito
Mosaico do Universo.
De gotas de orvalho que cobrem a uva
Agora como espíritos sobem, pureza elevada
Unidas às outras então caem como chuva
Antes de poças são enormes enxurradas.
Assim como o barro todos somos
Que abriga milhões de sementes
E no momento derradeiro, suposto abandono
É quando se abrem as portas para o viver eternamente.
Eduardo de Paula Barreto