CHUVA PAULISTANA
Vejo a chuva fina
Caindo lá de cima
Se espalhando pelo chão
A temperatura vai baixando
E o friozinho se manifestando
Nem parece que é verão.
São Paulo fica ainda mais cinza
E exige que a gente se cinja
De blusa em pleno janeiro
E o guarda-chuva se torna peça
Que protege do umbigo à cabeça
Mas as calças molham por inteiro.
Os transeuntes se sentem artistas
Saltando as poças nas pistas
Como no filme ‘Singin' in the Rain’
De repente um vento surpresa
Vira o guarda-chuva às avessas
E o paulistano xinga como ninguém.
Chega em casa todo molhado
E no outro dia acorda gripado
Grato por ser fim de semana
Agora lhe resta lenços, televisão
Dor no corpo, espirros, desidratação
E dois dias de molho na cama.
Logo a ensolarada segunda chega
E ele recuperado se entrega
À sua rotina com força e fé
Mas desta vez já previdente
Leva um guarda-chuva mais resistente
E uma capa que cobre da cabeça aos pés.
Eduardo de Paula Barreto
27/01/2012