CHEIRO DE MATO
O cheiro de mato
E de terra umedecida
Na beira do regato
No qual ele vê o retrato
De um caipira feliz da vida.
O peixe esperando ser pescado,
O pássaro esperando ser ouvido,
O cavalo esperando ser domado,
O capim esperando ser cortado
E o abacate esperando ser colhido.
O galo avisa todo faceiro
Que a galinha botou um ovo novinho
E ela repreende o companheiro
Porque ovo que sai do galinheiro
Não se transforma em pintinho.
Com fubá, ovos e açúcar
Ele prepara uma broa
E quando no radinho escuta
Que na cidade só se vive em luta,
No mato o caipira ri à toa.
Eduardo de Paula Barreto