CHAMA

 

Quem sabe eu ainda aprenda

Que palavras podem ferir

E que nem tudo se remenda,

Há chamas que não se pode extinguir.

 

E o fogo que segue ardente

Produz tão grande cicatriz,

É doloroso quando vejo penitente

Que tal marca fui eu que fiz.

 

  A vida se mostra menos bela

E inutilmente me esforço,

Olho a lembrança e tento me livrar dela,

Mas ela se apega a mim como remorso.

 

Mas de repente na tentativa de me redimir

Me aproximo de quem feri e tomando a sua mão

Peço que me liberte para que eu possa prosseguir

Bastando simplesmente que profira a palavra ‘perdão’.

 

Eduardo de Paula Barreto