CASULO

 

Na solidão do casulo

Vive a lagarta sonhadora,

Se julga um Ser nulo

Por não poder nem dar um pulo,

Sua casa é a sua masmorra.

 

  Na sua insignificância

Pensa em cometer suicídio,

De cima da árvore vê a distância

E ao decidir encurtar a sua infância

Não consegue passar pelo orifício.

 

Se vê frustrada e engordando,

Mudando a sua aparência,

Fica sempre se lamentando

E conforme os dias vão passando

Vai odiando a sua existência.

 

Se sente abandonada,

Passa os dias a chorar,

Se considera flagelada

Ao ver as paredes trincadas

Do casulo, o seu único lar.

 

Então se revolta

E sai dando piruetas,

De repente vê pássaros à sua volta,

É quando ela nota

Que virou uma borboleta.

 

Eduardo de Paula Barreto