CASA DO SONHO

 

 

Para sonhar não preciso pagar nada,

Posso imaginar uma casa de muro alto,

De paredes muito bem acabadas,

Numa linda rua não de terra, mas de asfalto.

 

Mas é melhor encarar a realidade

E providenciar um abrigo para o meu filho,

Sei que lá apesar de tudo haverá felicidade

Mesmo sem poder assentar nenhum ladrilho.

 

Três metros quadrados não é bem o que eu tinha sonhado,

Vai ficar apertado, e se eu tiver uma companhia?

Porque eu e o moleque já estamos acostumados,

Um dorme de noite e o outro dorme de dia.

 

Queria ter uma parede com brilho,

Mas madeira mole não segura ladrilho.

 

O terreno não é meu, eu o encontrei desocupado,

Mas de repente o dono apareceu trazendo um pelotão,

Botou nós dois para fora nos deixando desabrigados,

Me humilhou bastante e então derrubou o barracão.

 

Agora debaixo deste frio e escuro viaduto

Abraço meu filho para a gente poder sonhar,

Peço que se concentre para sonharmos juntos,

Pois a casa do nosso sonho ninguém vai derrubar.

 

Eduardo de Paula Barreto