CARVÃO E GAROA 
 
Antes de tornar-se cinza
O pedaço de carvão
Muito me serviu
Pois na calçada limpa e lisa
Rabisquei com minha mão
E uma poesia surgiu.
 
Antes da garoa cair
Lavando a minha escrita
Um homem a leu ao caminhar
Então o carvão pôde se esvair
Com sua missão cumprida
Pois fizera alguém meditar.
 
Este alguém levou consigo
As palavras da poesia
Ao decorá-las sem dificuldade
E as transcreveu na capa de um livro
Sob o guarda-chuva que se retorcia
Devido à garoa que virou tempestade.
 
Não me lembro o que escrevi
Naquele momento de inspiração
E que foi apagado pela garoa
Só sei que minha missão cumpri
Pois o poeta escreve para a multidão
E também para uma só pessoa.
 
Eduardo de Paula Barreto
19/09/09