CARNE RASGADA

 

A carne nua se rasga

E dela verte sangue

Que desce como brasa,

A dor se alastra

E os dentes rangem.

 

O olhar se apaga,

O coração se descontrola,

A garganta engasga,

A respiração trava

E a fé vai embora.

 

Sai um grito de desespero

E atravessa a madrugada,

Não se trata de pesadelo,

O que grita sofre por sabê-lo

E por não poder fazer nada.

 

O sangue que verte não mancha

E ninguém vê tal sofrimento,

Mas o homem de bem se desmancha

Em dores em abundância

Quando é vítima de arrependimento.

 

Eduardo de Paula Barreto