CANTOR

 

Embora saiba que não sou cantor

Apenas portador de alguma habilidade com as rimas,

Arrisco uma cantiga de amor

Tentando emocionar o coração da minha menina.

 

Mas em vez de despertar emoção

Provoco milhões de risadas,

Minha voz surge como um trovão,

Incomparavelmente desafinada.

 

Enrubesço e fico calado,

Sinto vontade de sumir,

Ela num gesto apiedado

Me abraça, mas não pára de rir.

 

Com enorme carinho me aperta

E com pura ternura me diz:

— Seu bobo, contente-se em ser o meu poeta

Cujas poesias sabem me fazer feliz.

 

Eduardo de Paula Barreto